Sobre Israel e a permanente inconsistência da esquerda mundial

Há alguns anos atrás escrevi sobre a impressionante seletividade que a esquerda faz em matéria de Direitos Humanos, tendo em vista que estes existem apenas para os amigos, sendo que para seus adversários a aplicação de Direitos Humanos é irrelevante. Alguma dúvida do que afirmo? Basta ver a ruidosa manifestação feita por eles quando morre algum agente de segurança em serviço. Sua máxima manifestação: infelizmente, isto integra os riscos de sua função. Ainda que seja verdade, a perda da vida de um agente de segurança deve ser algo a ser lamentado em qualquer sociedade minimamente sadia, que preze o Estado de Direito. Assim como, a vida de qualquer ser humano.

Todavia, a enorme inconsistência evidenciada nos últimos dias é a revolta que vem sendo manifestado por alguns pelas declarações feitas pelo Presidente eleito, Jair Messias Bolsonaro, de que pretende transferir a embaixada do Brasil em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Foi o suficiente para diversos grupos anti-semitas gritarem sua raiva contra o Presidente eleito e vociferarem o absurdo que consideram tal ato. Nada inesperado, pois diversos destes grupos apoiam o terrorismo islâmico em suas diversas formas. Mas, estas manifestações evidenciam diversas inconsistências em seu discurso como irá ficar demonstrado.

Primeira inconsistência evidente: vivem, supostamente, defendendo conceitos de soberania e autodeterminação dos povos, Direito dos Estados expressamente previsto nos arts.1º, item 2, e, art. 2º, itens 1, e, 4 da Carta da Organização das Nações Unidas que garante a igualdade soberana entre os Estados e o princípio da autodeterminação dos povos. Curiosamente, estes direitos para a esquerda valem para todos os povos menos para Estados Unidos da América e Israel ao que parece, pois qualquer ataque a estes países eles julgam legitimados. Infelizmente, para esta visão de mundo as coisas não são assim. Israel é um Estado soberano, gostem ou não, e tem o direito de determinar onde irá ser sua capital, assim como os países que tenham relações diplomáticas tem total autonomia para definir onde estabelecer a sede de suas legações diplomáticas. Tentar suprimir estes direitos de qualquer Estado soberano é uma violação direto aos direitos fundamentais de um Estado em Direito Internacional e a igualdade entre os Estados.

Argumentam defender Direitos Humanos, contudo é nesta seara que evidenciam sua segunda grande inconsistência. Diversos setores da esquerda minimizam o Holocausto judeu e atacam frontalmente Israel, no entanto negam ou simplesmente ocultam os fatos ocorridos no Holodomor, também conhecido como “Holocausto Ucraniano”, que foi comandado por Josef Stalin no período compreendido entre 1932 e 1933, e, estima-se que tenha vitimado 12 milhões de pessoas. Conforme relatos de historiadores ucranianos os corpos ficavam nas ruas, dada a situação do país na época.

Aliás, deste absurdo surgiu a frase de que comunistas comem criancinhas. Durante o Holodomor, cujo termo quer dizer “morto pela fome”, pois toda a comida da Ucrânia devia ser encaminhada a Moscou houve fases em que morriam 17 pessoas por minuto, e, conforme testemunho do Cônsul-Geral da Itália em Kharkov, em maio de 1933: “as pessoas matam os mais pequenos e comem-nos”. Tudo em nome da reorganização da agricultura promovido por Moscou. Mas, isso é irrelevante, foi feito pelo comunismo. Ao menos, é assim que pensam na esquerda.


Agora para o povo judeu, seus inimigos declarados, o Holocausto é um exagero e faz parte de um grande plano para dominação mundial. Adoram uma teoria da conspiração. O que os revisionistas não percebem é que, não importa se foi seis ou seis milhões de judeus que morreram no Holocausto, mas a intenção de eliminar uma etnia pelo simples fato de existir é absurda. Assim como esconder o Holodomor porque foi realizado pelo seu ícone politico.

E aqui está uma terceira inconsistência no discurso da esquerda. É inerente ao liberalismo cultuar indivíduos, nós admiramos o mérito de indivíduos que alcançam grandes feitos, mas o individualismo integra parte de nossas crenças. Agora, para uma doutrina que fala em uma suposta coletividade, cultuam demais individualidades, basta ver o enorme número de líderes cultuados por um esquerdista: Lênin, Stalin, Guevara, Mao, Castro, dentre outros. É muito culto ao indivíduo para quem se diz coletivista. Ao que parece ser esquerdista não é apenas ser contra o liberalismo apenas, mas contra a coerência também.

Artigo Exclusivo por: Sandro Schmitz

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