A culpa não é do Nordeste

Ao encerrar as eleições 2018 tendo sido eleito o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que havia ganho em todas as regiões do país, exceto na região Nordeste. De imediato se iniciaram as mais diversas reações nas redes sociais, de ambos os lados, desde o apoio a região pelos partidos vencedores nos estados nordestinos quanto de rechaço aos que apoiam o candidato do PSL. Todavia, simplesmente culpar os nordestinos pelos resultados é analisar da forma mais rasa possível o fenômeno ocorrido. Infelizmente, os números indicam muita coisa e tudo deixa a classe política em geral, e, o PT em especial, em uma situação bem constrangedora. Os sete estados com pior IDH no país são todos da região nordeste: Bahia, Paraíba, Sergipe, Piauí, Maranhão, Pará, e, Alagoas. Da mesma forma, os sete estados com maiores índices de estrema pobreza estão nesta região. São eles: Sergipe, Acre, Bahia, Paraíba, Piauí, Pará, e, Alagoas.

Para quem não sabe, o conceito de extrema pobreza, desenvolvido pelo Banco Mundial, se refere a condição de viver com menos de um dólar dos Estados Unidos da América por dia em paridade do poder de compra. Então, imagine você ter menos de quatro reais para todas suas necessidades diárias e ter de sobreviver desta forma. Mas, o dado seguinte é revelador: dos sete estados que mais recebem o Bolsa Família, quatro são da região nordeste. São eles: Acre, Alagoas, Amazonas, Maranhão, Pará, Paraíba, e, Piauí. Como sabido por todos são da região nordeste os estados de Alagoas, Maranhão, Paraíba, e, Piauí. De acordo com dados do governo federal apenas as regiões Norte e Nordeste do país respondem por 66.7% dos valores do programa Bolsa Família, totalizando R$ 1.5 bilhões do montante de R$ 2.3 bilhões destinados ao programa, sendo que o valor médio pago por família é de R$ 199,09/mês. O que mais enoja vermos estes números é o fato que o discurso oficial de que se está trazendo dignidade a estas famílias. Se considerarmos o valor médio do benefício e calcularmos o valor/dia iremos chegar ao valor de R$ 6.64./dia.

A pior parte de tudo é considerar que o programa exige apenas o que a lei já obriga aos beneficiários, mas os auxiliar a sair de sua situação nada. Digo isto porque não matricular crianças e adolescentes no ensino regular é crime de abandono intelectual previsto no art. 246 do Código Penal que deriva da obrigação prevista na Constituição Federal de 1988 que prevê em seu art. 108, inc. I que: “educação básica obrigatória e gratuita dos 4 (quatro) aos 17 (dezessete) anos de idade”. Além destes, existem vários dispositivos legais que impõem aos pais o dever de educar seu filho sob pena, inclusive, de perda do poder familiar em casos extremos.

Logo, a exigência apenas joga para a torcida, como em regra, tudo no PT. Mas, o mais grave e covarde é a evidência de escravizar as pessoas por sua necessidade. Institucionalizar a prática espúria do coronelismo e do voto a cabresto, tendo em vista usar o recurso “terrorista” de afirmar que meu adversário irá acabar com o Bolsa Família para induzir as pessoas que dependem deste programa a votar no seu candidato.

E, sim, é perfeitamente factível o uso do termo terrorista, pois o objetivo do terrorismo é provocar medo na população, causar intranquilidade. Não, com certeza a culpa não é dos nordestinos, mas sim dos políticos locais que eternizaram a indústria da seca para se beneficiarem de sua população e do PT que institucionalizou o coronelismo e o voto a cabresto. Culpar as vítimas e não os autores, assim como, jogar o jogo deles e permitir uma divisão insana de nosso país. Isto não podemos permitir.

Artigo Exclusivo por: Sandro Schmitz

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